Deselitizando o Substack
Abre esse texto, senta e vamos tomar um café.
Fiz algo que não estou acostumada nessa rede social: rolei o feed.
Sim, eu só entrava aqui para escrever, postar, ficar chateada por não superar o máximo de vizualizações no meu melhor artigo e me sentir insuficiente.
Até agora.
Um comentário, em específico, chamou minha atenção e me fez cair na realidade. Uma menina comentou o quanto ela fica chocada que es gringas usam a plataforma para tudo (postar vlogs, podcasts, etc) enquanto, nós, brasileiras, usamos unicamente para agirmos como ditadoras (ela não usou essas palavras) de literatura e gurus da escrita (ela também não usou essas palavras).
Foi ai que eu percebi. Nós realmente fazemos isso, não é? Não só aqui, mas no (falecido) Twitter estamos sempre brigando sobre como alguém deve ler clássico ou como essa pessoa que diz que lê clássico é um pé no saco, mas a questão aqui é que sempre estamos dizendo o que alguém deve ou não deve consumir. Enquanto isso, as gringas estão só aproveitando o melhor que essa (e outras) rede social pode oferecer: conforto consigo mesmo.
Uma coisa é publicarmos nossas opiniões sobre algo, outra coisa é acharmos que nossa opinião é um fato consolidado. Ninguém é obrigado a seguir aquilo que falamos ou, pior, consumir qualquer asneira que saia das nossas bocas (ou, nessa caso, nos nossos dedos). Estamos tão acostumadas com likes e compartilhamentos e seguidores que esquecemos a essência da coisa: nos divertir.
O Substack, pra mim e, com certeza, pra você, chegou a nós com a propaganda de que podíamos ser nós mesmas. Escrevermos sobre o que quisermos e, jamais, sermos julgadas por isso. Nasceu da ideia de que poderíamos ter um lugar seguro para nos expressarmos. E, nesse meio tempo, acharmos pessoas com pensamentos parecidos.
Eu não ternho certeza de quando ou como, mas isso aqui se tornou tão tóxico quando qualquer outra rede social. Agora tudo é pauta para reclamação e ninguém é bom o suficiente ou digno o suficiente da atenção do outro. E, sinceramente? QUE COISA CHATA!
Meses atrás eu me deparei com um artigo inteirinho falando mal de outras pessoas que não escrevem com maiúsculas. Mana? Que porra de conteúdo é esse? O seu texto, o qual você gastou tempo escrevendo e (aparentemente) articulando, é unicamente sobre pessoas que escrevem textos, dentro da mesma plataforma que você, sem fazer uso de l-e-t-r-a-s maiúsculas?
Viramos, o quê? Fiscais de Redações do ENEM?
Nossos textos e comentarios aqui nos renderão uma vaga numa faculdade federal?
E sabe o que era mais engraçado no artigo contra as letras minúsculas? A autora não sabia a diferença entre “porque”, “por que”, “porquê” e “por quê”.
Minha última redação oficial do ENEM teve 900 pontos. Eu sou, sim, obcecada com ortografia. Meu professor de português do pré-vestibular gritava e ridicularizava todo mundo que não sabia suas respostas e isso, junto da minha obsessão em ser boa em tudo, me tornou paranóica com escrita. E, mesmo assim, eu odeio escrever corretamente.
Fala sério. Um “afirmo fielmente a você que” jamais terá o mesmo peso que um “juro!!!!”.
Se quisesemos ler um artigo científico embasado e totalmente credenciado, leríamos a porra de um jornal. E, advinha? O jornal está morrendo!
Vale destacar que eu adoro consumir artigos que tenham o cunho mais social, científico e crítico. Com citações e referências bibliográficas. Li um essa semana sobre prostituição e foi, simplesmente, incrível.
Queremos consumir coisas legais. Cotidiano ou coisas sérias, mas que nos passe a sensação de representatividade. Mas, ao mesmo tempo, não estamos proporcionando isso a ninguém. Estamos perdendo tempo e energia ditando o que tem que se consumir ou escrever.
Então, eu comecei a prestar atenção em o que eu posto e como isso influencia na visão dos outras e na minha própria visão. Talvez, devamos tomar mais vergonha na cara e parar de acharmos que somos melhores do que os outros.
E, quem sabe, se divertir no meio do processo…
Não se esqueça de deixar um comentário!! ;)







Realmente. Era pra ser leve né!?
Concordo com tudo! Já vi uma pessoa dizendo que se você não consumir tal obra da literatura russa, você estará apodrecendo seu cérebro, dizendo como tal autor é poetico nas palavras por fazer tal analogia... pô, nem todo mundo gosta de literatura russa, e não existe apenas a literatura russa. Tem muita pessoa que se acha melhor que a outra por ser "culta", eu já vi tantas postagens legais de pessoas compartilhando seu cotidiano e é esse tipo de postagem que você se sente mais leve sem se comparar com o outro porque tá consumindo as coisas de um jeito "errado". (Aliás, perdão se tiver algo de errado na minha escrita 😝)